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Comportamento do cão Daycare DogSolution Metodologia Renato Zanetti

Você precisa de uma coleira com garras para treinar cães agressivos?

FATO: NÃO EXISTE CACHORRO AGRESSIVO (e sim COMPORTAMENTO agressivo).

O colar de garra é realmente necessário para treinar cães agressivos?

  • Se a gente acreditar que a agressividade não é uma característica do cão, e sim do momento que ele está vivendo, você não mais precisará desta ferramenta.
  • Essas coleiras de garra, com seus pinos machucando o pescoço do cão, causam dor.
  • Causar dor para impedir que o cão tenha um comportamento agressivo não faz o menor sentido.
  • Esse tipo de coleira deveria ser banida do mercado. Em breve, esse objeto pode ser considerado um instrumento de tortura e maus tratos aos animais. Da mesma forma que a palmatória foi banida e é proibida.
  • As pesquisas sobre bem estar animal estão tão avançadas que é consenso pensar que todos nós temos que mudar as formas com as quais lidamos com os animais.
  • É uma questão moral muito séria o fato de um adestrador querer treinar um cachorro utilizando uma ferramenta que perfura a pele do animal.

Agressividade não é uma característica do cão. Eu não sou uma pessoa agressiva. Mas se eu precisar defender algum ente querido, vou demonstrar um comportamento agressivo. O mesmo acontece se eu perceber que minha vida está ameaçada. Cães funcionam da mesma forma. Um cão super dócil pode se tornar agressivo.

Essa agressividade é demonstrada rosnando, mordendo etc. Agressividade é algo intencional e direcionado.

Se soltarmos um cachorro dentro de uma sala cheia de mulheres, homens e crianças, ele pode ir até a criança de forma intencional. Outra situação muito comum é quando um cachorrinho está embaixo de uma mesa cheia de gente e alguém mexe o pé. Ele toma um susto e acaba mordendo alguém. Ele foi reativo, e não agressivo.

REATIVIDADE É TER UMA ATITUDE UM POUCO MAIS EXAGERADA DO QUE O NORMAL. É DIFERENTE DE AGRESSIVIDADE.

O cachorrinho poderia ter saído correndo, mas ao tomar o susto, decidiu morder. Como quando andamos na rua e alguém tenta roubar nossa bolsa. Podemos dar uma cotovelada, de forma reativa. A agressividade é um ato intencional.

FATORES QUE INFLUENCIAM NO COMPORTAMENTO AGRESSIVO DE UM CACHORRO:
Genética: Quais são as características de seus ancestrais? Um cão agressivo pode ter sido selecionado para brigar.

Aprendizado: Como é o lugar onde ele vive? O seu entorno permite agressividade?

Ambiente: Quais são os estímulos que os cães recebem do ambiente? Eles aprendem que, quanto mais feroz eles são, mais rápido eles saem de algumas situações.

FATORES QUE INFLUENCIAM NO COMPORTAMENTO DÓCIL DE UM CACHORRO:
Genética: Geneticamente selecionado, com atitude mais dócil.

Aprendizado: Seu ambiente não possui nenhum estímulo aversivo. Ele não precisa se defender de nada.

Ambiente: Ele aprende que, toda vez que está calmo e tranquilo, recebe uma recompensa.

Se esse cachorro dócil for colocado no ambiente do cachorro agressivo, ele pode vir a demonstrar um comportamento mais feroz. Outra situação que torna o animal agressivo é aquela em que o cachorro está com dor, com displasia, ou quando o veterinário precisa dar vacina.

  • Agressividade não é uma característica de raça.
  • Docilidade também não é uma característica de raça.
  • Comportamento é questão de genética, ambiente e aprendizagem.
  • Em especial, não podemos ignorar ambiente e aprendizagem

Assim, não se deve utilizar uma ferramenta – a coleira de garras – que perfura a pele do cachorro para tentar resolver uma questão que não é exclusiva da raça, mas que é do ambiente e da aprendizagem.

 

RECAPITULANDO:

– Se você tem um cachorro com comportamentos reativos e agressivos, esqueça essa ferramenta e foque no ambiente e no aprendizado no qual esse cachorro está inserido.
– Um cachorro que sente medo tem 100% chance de morder alguém.
– Um animal com dor tem uma chance alta de morder alguém.
– Um cão que toma um susto provavelmente vai morder alguém.

 

Direitos reservados: É permitida a reprodução, encaminhamento e uso não comercial na íntegra deste artigo, desde que citado o autor.

Fonte: Renato Zanetti | www.renatozanetti.com.br

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