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Ciência Comportamento do cão

Cães nos observam e leem nosso rosto muito bem

Pesquisas mostram que cães prestam atenção a diferentes expressões faciais humanas

“Que tal saber o que a ciência tem descoberto sobre comportamento dos cães e como podemos utilizá-la para melhorar nosso relacionamento com eles? Neste artigo de abril de 2019, Marc Bekoff PhD, professor emerito da Ecology and Evolutionary Biology na Universidade do Colorado, EUA e co-fundador junto com Jane Goodall da Ethologists for the Ethical Treatment of Animal fala sobre o que já se sabe sobre a fantástica habilidade dos cães em observar as expressões humanas.

Aproveitem a leitura. Aplique a ciência no seu dia-a-dia com seu cão. Esqueça os ‘achismos’. Para ter acesso ao conteúdo original em inglês, clique no link no final da página.”

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No livro ‘Unleashing Your Dog: A Field Guide to Giving Your Canine Companion the Best Life Possible’, Jessica Pierce e eu enfatizamos a importância das pessoas que escolhem viver com os cães se tornando “fluentes em cães” ou “especialistas em cães”. Além de aprendermos o básico do comportamento do cão, uma área importante para nós entendermos é como seus vários sentidos funcionam e como eles usam os olhos para ler nossos rostos e sua sensibilidade às várias manifestações sociais visuais que emitimos¹. Não surpreendentemente, a pesquisa mostra que os cães prestam particular atenção às expressões faciais humanas – talvez porque não tenhamos rabo e nossas orelhas não se movam.

Abaixo, segue um resumo do que sabemos sobre o que os cães são capazes de perceber quando observam nossos rostos.

Em um estudo de cães e expressões faciais humanas, uma equipe de cientistas liderada por Corsin Müller demonstrou que os cães diferenciam os rostos humanos felizes e raivosos, e que os cães acham que os rostos que expressam raiva são aversivos. Em outro estudo, Natalia Albuquerque e colaboradores examinaram o comportamento de cães em resposta a sinais visuais emocionalmente relevantes de humanos. A equipe comparou as respostas dos cães a expressões faciais humanas e descobriu que os cães demonstravam licking em resposta a expressões de raiva. Os cachorros demonstravam licking quando viam imagens de rostos com raiva, mas não quando ouviam vozes raivosas, enfatizando a importância do contato visual.

Licking pode ser um sinal de apaziguamento durante as comunicações entre cães, e também pode servir como uma forma do cão responder à emoção negativa que ele também percebe nos humanos. (Um “sinal de apaziguamento” inibe ou reduz o comportamento agressivo de um parceiro social.) No estudo, os cães apresentavam licking com maior frequência quando observavam imagens de humanos do que quando observavam outros cães, sugerindo que os cães são mais sensíveis a expressões faciais humanas para facilitar sua interação conosco.

Em outro estudo, pesquisadores descobriram que a ocitocina (associada a sentimentos de confiança e carinho) fez com que os cães se interessassem mais por rostos felizes e se sentissem menos ameaçados por um rosto raivoso. Em um grupo de cães, metade recebeu um spray nasal contendo ocitocina e outra metade, um spray nasal com placebo. Os cães com aumento dos níveis de ocitocina passaram mais tempo olhando imagens de rostos humanos felizes do que os cães do grupo do placebo.

Os pesquisadores também descobriram que no grupo do placebo, as pupilas dos cães ficavam mais dilatadas quando olhavam para os rostos raivoso, um sinal de que eles acharam estes rostos mais aversivos. No grupo da ocitocina, essa resposta emocional negativa foi menos pronunciada. Eles concluíram: “A ocitocina pode diminuir a observação excessiva para estímulos ameaçadores e aumentar a relevância de estímulos positivos, tornando rostos humanos amigáveis mais relevantes para os cães.” Em outras palavras, a ocitocina provavelmente desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do vínculo humano-canino.

Algumas das pesquisas mais interessantes sobre a cognição canina envolvem o uso da ressonância magnética funcional para estudar como os cérebros dos cães processam informações sociais. Essa pesquisa não é invasiva e os cães participam voluntariamente. O neurobiólogo Gregory Berns, que trabalha na Emory University, tem se interessado pelo reconhecimento facial e, assim como seres humanos e primatas não-humanos, os cães têm uma região especial em seu cérebro dedicada ao processamento da face.

É de se esperar que os cães desenvolvam um mecanismo neural para processar as informações faciais de outros cães, porque são (tal qual lobos) mamíferos altamente sociais. Mas será que cães também desenvolveram um mecanismo neural para processar rostos humanos, baseados em sua história de domesticação e co-evolução com humanos? Berns e seus colegas descobriram que os cães têm, de fato, uma região do cérebro dedicada ao processamento de rostos humanos, o que ajuda a explicar sua sensibilidade extraordinária aos sinais sociais humanos.

Parece que os cães não apenas leem nossas expressões faciais, mas também se comunicam conosco usando suas próprias expressões faciais. Cientistas da Portsmouth University’s Dog Cognition Centre, no Reino Unido, descobriram que os cães produziam muito mais expressões faciais quando um humano estava observando do que quando não estava. A expressão mais comum usada pelos cães era aquela em que eles levantam a sobrancelha interna, fazendo com que os olhos pareçam mais largos e tristes, um olhar que todos os donos reconhecerão imediatamente como “olhar de filhote”.

Cães sabem quando nós os estamos observando. E, também, sabem quando não estamos. Assim, são mais propensos a roubar comida quando os olhos de uma pessoa estão fechados, ou suas costas estão viradas. Fique atento para mais discussões sobre como e os porquês da sensibilidade dos cães aos sinais sociais humanos. Ainda há muito a aprender, e é por isso que é uma área de pesquisa importante e interessante. Quanto mais aprendermos sobre a natureza e os detalhes das interações sociais, melhor será para desenvolver e manter vínculos profundos e significativos com os cães.
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Fonte: Psychology Today | www.psychologytoday.com, por Marc Bekoff PhD, adaptado pela Equipe DogSolution

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