Mês: novembro 2018

Comportamento do cão Daycare Dog Solution Metodologia Renato Zanetti

Você precisa de uma coleira com garras para treinar cães agressivos?

Dog Solution
FATO: NÃO EXISTE CACHORRO AGRESSIVO (e sim COMPORTAMENTO agressivo). O colar de garra é realmente necessário para treinar cães agressivos? Se a gente acreditar que a agressividade não é uma característica do cão, e sim do momento que ele está vivendo, você não mais precisará desta ferramenta. Essas coleiras de garra, com seus pinos machucando o pescoço do cão, causam dor. Causar dor para impedir que o cão tenha um comportamento agressivo não faz o menor sentido. Esse tipo de coleira deveria ser banida do mercado. Em breve, esse objeto pode ser considerado um instrumento de tortura e maus tratos aos animais. Da mesma forma que a palmatória foi banida e é proibida. As pesquisas sobre bem estar animal estão tão avançadas que é consenso pensar que todos nós temos que mudar as formas com as quais lidamos com os animais. É uma questão moral muito séria o fato de um adestrador querer treinar um cachorro utilizando uma ferramenta que perfura a pele do animal. Agressividade não é uma característica do cão. Eu não sou uma pessoa agressiva. Mas se eu precisar defender algum ente querido, vou demonstrar um comportamento agressivo. O mesmo acontece se eu perceber que minha vida está ameaçada. Cães funcionam da mesma forma. Um cão super dócil pode se tornar agressivo. Essa agressividade é demonstrada rosnando, mordendo etc. Agressividade é algo intencional e direcionado. Se soltarmos um cachorro dentro de uma sala cheia de mulheres, homens e crianças, ele pode ir até a criança de forma intencional. Outra situação muito comum é quando um cachorrinho está embaixo de uma mesa cheia de gente e alguém mexe o pé. Ele toma um susto e acaba mordendo alguém. Ele foi reativo, e não agressivo. REATIVIDADE É TER UMA ATITUDE UM POUCO MAIS EXAGERADA DO QUE O NORMAL. É DIFERENTE DE AGRESSIVIDADE. O cachorrinho poderia ter saído correndo, mas ao tomar o susto, decidiu morder. Como quando andamos na rua e alguém tenta roubar nossa bolsa. Podemos dar uma cotovelada, de forma reativa. A agressividade é um ato intencional. FATORES QUE INFLUENCIAM NO COMPORTAMENTO AGRESSIVO DE UM CACHORRO: Genética: Quais são as características de seus ancestrais? Um cão agressivo pode ter sido selecionado para brigar. Aprendizado: Como é o lugar onde ele vive? O seu entorno permite agressividade? Ambiente: Quais são os estímulos que os cães recebem do ambiente? Eles aprendem que, quanto mais feroz eles são, mais rápido eles saem de algumas situações. FATORES QUE INFLUENCIAM NO COMPORTAMENTO DÓCIL DE UM CACHORRO: Genética: Geneticamente selecionado, com atitude mais dócil. Aprendizado: Seu ambiente não possui nenhum estímulo aversivo. Ele não precisa se defender de nada. Ambiente: Ele aprende que, toda vez que está calmo e tranquilo, recebe uma recompensa. Se esse cachorro dócil for colocado no ambiente do cachorro agressivo, ele pode vir a demonstrar um comportamento mais feroz. Outra situação que torna o animal agressivo é aquela em que o cachorro está com dor, com displasia, ou quando o veterinário precisa dar vacina. Agressividade não é uma característica de raça. Docilidade também não é uma característica de raça. Comportamento é questão de genética, ambiente e aprendizagem. Em especial, não podemos ignorar ambiente e aprendizagem Assim, não se deve utilizar uma ferramenta – a coleira de garras – que perfura a pele do cachorro para tentar resolver uma questão que não é exclusiva da raça, mas que é do ambiente e da aprendizagem.   RECAPITULANDO: – Se você tem um cachorro com comportamentos reativos e agressivos, esqueça essa ferramenta e foque no ambiente e no aprendizado no qual esse cachorro está inserido. – Um cachorro que sente medo tem 100% chance de morder alguém. – Um animal com dor tem uma chance alta de morder alguém. – Um cão que toma um susto provavelmente vai morder alguém.   Direitos reservados: É permitida a reprodução, encaminhamento e uso não comercial na íntegra deste artigo, desde que citado o autor. Fonte: Renato Zanetti | www.renatozanetti.com.br
Comportamento do cão Dog Solution Metodologia Renato Zanetti

Como evitar que o cão destrua objetos pela casa?

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Roer objetos é um comportamento natural do cachorro. Como latir, correr, pular, fazer buraco no jardim etc. Existem dois cenários: um filhote que destróis objetos e um cão adulto que destrói objetos. Vamos primeiro falar do filhote. Seus dentinhos estão nascendo, e ele sente uma mistura de dor com cócegas. O que fazer com nosso filhote destruidor: – Dê brinquedos próprios para essa fase do cão, ou ele mesmo decidirá o que irá destruir. – Não deixe perto do filhotinho nada que ele não possa roer. – Se você tiver uma sala sem brinquedo algum, ele tem 100% de chance de errar e destruir um objeto que não deveria. – Dê atenção e brinque com o cachorro quando ele morder os objetos com os quais ele pode brincar. – Sempre supervisione a interação do seu filhote com o ambiente. – Não permita que o filhote morda sua mão, por mais divertido que isso possa ser. Isso é um grande erro! Ele crescerá acreditando que isso é um comportamento desejado. – Quando ele vier morder sua mão, tire-a da vista do cão e mostre um brinquedo. Esse objeto deve aparecer sempre antes dele ter a chance de morder sua mão. O que fazer com nosso cão adulto destruidor: – Lembrando: roer é algo natural do cão adulto também. Ele precisa ser ensinado sobre quais são os brinquedos e coisas que ele pode roer. – Enriqueça o ambiente com objetos com os quais ele possa brincar, como por exemplo, ossinhos de nylon, caixas de papelão, pedaços de coco verde etc. Dê uma chance do cão acertar. Dê atenção a ele quando ele brinca com esses objetos.   Recapitulando – Roer é um comportamento natural do cão, filhote ou adulto. – É nossa obrigação cuidar do manejo do ambiente para que o cachorro possa identificar o que ele pode e o que ele não pode fazer. – É possível ter cachorro feliz em uma casa sem objetos destruídos. – A consistência desse manejo ambiental é muito importante. Não será na primeira vez que esse treino vai funcionar. Repita todos os passos muitas vezes.   Direitos reservados: É permitida a reprodução, encaminhamento e uso não comercial na íntegra deste artigo, desde que citado o autor. Fonte: Renato Zanetti | www.renatozanetti.com.br
Comportamento do cão Metodologia Renato Zanetti

Você precisa gritar com seu cão para parecer valente?

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“Preciso mostrar quem manda nessa casa!” Mito: “o cão precisa ver o humano com o líder” Os gritos não demonstram dureza e liderança. Se você precisa gritar para liderar, você não é um líder. Os cães não nos identificam como um cachorro de duas pernas. Logo, você nunca será visto como o líder do “bando”. Se o seu cachorro responde aos seus gritos, é por medo. Isso é ruim. Se você precisa gritar para sua voz ser ouvida, é porque você falhou em buscar soluções harmoniosas. Gritar com um cachorro reforça comportamentos indesejáveis, ele acaba mandando em você. Vamos olhar do ponto de vista do cão. 80% do tempo você é legal com ele. Nos outros 20%, você dá broncas. Ele sente, então, que você é uma pessoa instável. Sabe aquele cara que fala “sou super bacana, mas não pise no meu pé”? E aquele seu amigo gente fina, mas que fica bravo quando o garçom demora para entregar o chopp no bar? E aquele outro que vive reclamando da música no restaurante e não consegue relaxar? Nenhum desses é um cara legal. Quem é super bacana, permanece sereno até quando pisam no seu pé. O mesmo acontece com as pessoas do seu trabalho. Seu chefe pode ser legal 90% do tempo, mas nos 10% que ele não é gente fina, ele te xinga e grita com você na frente dos outros funcionários. Como ficam suas emoções nesse momento? Você fica com receio de errar e de dar sua opinião. Qual é o ambiente de trabalho ideal? É aquele que você sabe exatamente o que esperar. É possível ter controle total do ambiente ou das pessoas? Não, pois as pessoas são seres humanos que podem errar eventualmente. Melancolia e nervosismo são emoções humanas. No entanto, a variação emocional não pode se tornar um padrão. Em um minuto estou bem, em outro estou mal. Isso não é bom. Imagine o impacto que esta variação emocional tem no seu cão. Hoje ele pulou em você, e você brigou com ele. Mas, estranho… ontem ele fez a mesma coisa e você não brigou! Ah, é porque hoje você está arrumado para sair. Pois é, ele não tem obrigação de entender isso. Tem hora que ele faz xixi no tapete, e nada acontece, pois ninguém viu. No minuto seguinte, só do cachorro olhar pro tapete, você grita com ele. O cachorro pensa “o meu tutor é louco”. Do ponto de vista do seu cão, você é instável emocionalmente. Ninguém quer conviver com uma pessoa assim. Seu cachorro não tem a opção de ir tomar cerveja com os amigos, para espairecer. Imagine como é estar em uma casa com um casal e filhos, onde todos querem ser os durões. Esse cachorro não sabe mais o que faz. Orelha para trás, cabeça baixa, se esconder, são sinais de um cachorro com medo, e não de um cachorro que responde positivamente a gritos. Se ele demonstrar um desses comportamentos, não significa que ele sabe que fez coisas erradas. Significa que você estressou seu cachorro. Se os gritos funcionassem, jamais ele repetiria os atos que geram os gritos. Mas o cachorro volta a fazer as mesmas coisas. Baseado em que falo isso? No meu relacionamento com minha cachorra e com os outros 40 cães que frequentam o Dog Solution. Lá, ninguém precisa fazer papel de durão.   Recapitulando: Gritos são sinais de instabilidade emocional, e não de liderança. Não é natural que cães sejam liderados por humanos. Gritos geram medo e não respeito ou aprendizado nos cães. É preciso buscar soluções harmoniosas.   Direitos reservados: É permitida a reprodução, encaminhamento e uso não comercial na íntegra deste artigo, desde que citado o autor. Fonte: Renato Zanetti | www.renatozanetti.com.br
Comportamento do cão Dog Solution Metodologia Renato Zanetti

Mito ou verdade: como ficam os cães após a chegada de um bebê?

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Zootecnista e especialista em bem-estar animal dá dicas para ajudar os donos a agirem da melhor maneira para manter uma convivência saudável entre a criança e o pet. Há um novo membro na família e, com ele, toda a rotina mudou. E não à toa, porque um bebê precisa de atenção especial e cuidados. Quando temos um pet em casa, então, é melhor se preparar: as mudanças podem ser mais difíceis. É natural que nosso animal de estimação note as alterações em casa. Agora, por exemplo, ele sabe que você tem menos tempo e atenção para dar porque está dedicado ao recém-nascido. Então, mudanças em seu humor podem ocorrer: eles ficam carentes, ciumentos, depressivos ou, até mesmo, agressivos. Tudo isto, claro, depende do seu cão e da forma com que ele está sendo tratado. Para tirar dúvidas sobre essa nova fase, o zootecnista e especialista em bem-estar animal, Renato Zanetti, aponta quais são os mitos e verdades sobre esse tema e dá dicas para ajudar os donos a agirem da melhor maneira para manter uma convivência saudável entre a criança e o pet. Eles ficam ciumentos… Verdade. Zanetti explica que talvez o sentimento seja ciúme, mas o mais preciso seria dizer que o cachorro sente uma necessidade de ‘reter recursos’ – quer dizer, ele gosta de certos objetos e pessoas e, naturalmente, deseja que elas lhe estejam fazendo companhia e dando atenção. …e agressivos? Mito. Não é necessariamente verdadeiro que nossos pets fiquem tão ofendidos com a chegada de um novo membro que passem a nos atacar ou a reagir agressivamente à vida que estão levando. Caso os preparos da vinda do bebê não tenham sido os melhores, o cão pode, sim, ficar apreensivo, tenso e frustrado, sintomas confundidos com agressividade. Mas se este período for bem planejado, as chances disto ocorrer são menores – e é bem possível que nosso cão fique bem com esta transição. Carentes? Verdade. Ao dar conta que todos os cuidados estão voltados ao bebê, o cachorro pode exigir um pouco mais de atenção fazendo coisas típicas: latir, uivar, pular. Na maior parte das vezes, realmente dá certo. Eles sabem que há um ser novo entre nós? Verdade. Não adianta: não tem como nem por que esconder que a casa agora abriga um novo membro. Ao farejar o cheiro, ouvir os barulhos de choro e notar o comportamento dos pais, o cão sente que algo mudou no ambiente. O que fazer? Aja naturalmente, sem fingir que tudo está igual. Cães e bebês podem ser amigos? Verdade. Nada impede que um cão e um bebê tenham uma relação próxima. Mesmo após perder seu trono, o pet pode ter um excelente convívio com o recém-nascido. Aliás, isto é o mais frequente. “Há muitos mais relatos de amizade entre cães e filhos do que o contrário”, afirma Zanetti. O cão deve conhecer o bebê assim que ele chegar? Mito. Calma lá: se isto acontecer, ótimo, mas apenas se a situação estiver controlada. Caso a vida com o bebê ainda esteja um pouco caótica, não se precipite. Espere criar situações positivas entre o bebê e o cachorro. Sem os mimos, cachorros sofrem mais? Verdade. Após perder o status de filho único, o cão pode sofrer um pouco para se adaptar. E não porque seus donos não liguem mais para ele: é só pela razão de que, agora, eles têm de cuidar do bebê em tempo quase integral. Agora que já são amigos, crianças e cachorros podem ficar sozinhos? Mito. Não é aconselhável deixar seu bebê com o cão, mesmo que eles já tenham estabelecido um laço de amizade. Por suas ações imprevisíveis – desde puxar o cabelo até puxar as orelhas -, a criança pode irritar ou “testar” o cachorro a um ponto que ainda não havia sido levado. Meu cão tem que ser independente, e isso depende de mim? Verdade. Ensinar um cão a viver sozinho não quer dizer negligenciar cuidados a ele – ou muito menos que os donos não têm mais interesse sobre ele -, mas, sim, significa facilitar sua vida nos mais diferentes ambientes com outras pessoas. Com a jornada dedicada quase exclusivamente ao bebê (dar banho, dar comida, limpá-lo e passar todo o tempo necessário com ele), tornar seu cão autônomo é recomendado e depende, também, de você. A adaptação é melhor se o cão conhece as roupinhas e brinquedos do bebê? Verdade. Mostrar o carrinho e as roupas do bebê para que ele as cheire, além de deixar o cão chegue aos brinquedos e outros objetos da criança, são formas de fazer a curiosidade do pet diminuir. “É uma excelente atitude”, diz o médico. O cão deve se acostumar a ser tocado? Verdade. É bom que o cachorro esteja habituado a ser tocado, seja no pelo, nas orelhas, na pata ou no rosto. Isto porque, na fase de engatinhar e andar, mesmo em uma brincadeira e sem o objetivo de machucar o cão, o bebê pode tocar em alguma parte dele. Direitos reservados: É permitida a reprodução, encaminhamento e uso não comercial na íntegra deste artigo, desde que citado o autor. Fonte: Renato Zanetti | www.renatozanetti.com.br