Zootecnista e especialista em bem-estar animal dá dicas para ajudar os donos a agirem da melhor maneira para manter uma convivência saudável entre a criança e o pet.

Há um novo membro na família e, com ele, toda a rotina mudou. E não à toa, porque um bebê precisa de atenção especial e cuidados. Quando temos um pet em casa, então, é melhor se preparar: as mudanças podem ser mais difíceis.

É natural que nosso animal de estimação note as alterações em casa. Agora, por exemplo, ele sabe que você tem menos tempo e atenção para dar porque está dedicado ao recém-nascido. Então, mudanças em seu humor podem ocorrer: eles ficam carentes, ciumentos, depressivos ou, até mesmo, agressivos. Tudo isto, claro, depende do seu cão e da forma com que ele está sendo tratado.

Para tirar dúvidas sobre essa  nova fase, o zootecnista e especialista em bem-estar animal, Renato Zanetti, aponta quais são os mitos e verdades sobre esse tema e dá dicas para ajudar os donos a agirem da melhor maneira para manter uma convivência saudável entre a criança e o pet.

Eles ficam ciumentos…

Verdade. Zanetti explica que talvez o sentimento seja ciúme, mas o mais preciso seria dizer que o cachorro sente uma necessidade de ‘reter recursos’ – quer dizer, ele gosta de certos objetos e pessoas e, naturalmente, deseja que elas lhe estejam fazendo companhia e dando atenção.

…e agressivos?

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Mito. Não é necessariamente verdadeiro que nossos pets fiquem tão ofendidos com a chegada de um novo membro que passem a nos atacar ou a reagir agressivamente à vida que estão levando. Caso os preparos da vinda do bebê não tenham sido os melhores, o cão pode, sim, ficar apreensivo, tenso e frustrado, sintomas confundidos com agressividade. Mas se este período for bem planejado, as chances disto ocorrer são menores – e é bem possível que nosso cão fique bem com esta transição.

Carentes?

Verdade. Ao dar conta que todos os cuidados estão voltados ao bebê, o cachorro pode exigir um pouco mais de atenção fazendo coisas típicas: latir, uivar, pular. Na maior parte das vezes, realmente dá certo.

Eles sabem que há um ser novo entre nós?

Verdade. Não adianta: não tem como nem por que esconder que a casa agora abriga um novo membro. Ao farejar o cheiro, ouvir os barulhos de choro e notar o comportamento dos pais, o cão sente que algo mudou no ambiente. O que fazer? Aja naturalmente, sem fingir que tudo está igual.

Cães e bebês podem ser amigos?

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Verdade. Nada impede que um cão e um bebê tenham uma relação próxima. Mesmo após perder seu trono, o pet pode ter um excelente convívio com o recém-nascido. Aliás, isto é o mais frequente. “Há muitos mais relatos de amizade entre cães e filhos do que o contrário”, afirma Zanetti.

O cão deve conhecer o bebê assim que ele chegar?

Mito. Calma lá: se isto acontecer, ótimo, mas apenas se a situação estiver controlada. Caso a vida com o bebê ainda esteja um pouco caótica, não se precipite. Espere criar situações positivas entre o bebê e o cachorro.

Sem os mimos, cachorros sofrem mais?

Verdade. Após perder o status de filho único, o cão pode sofrer um pouco para se adaptar. E não porque seus donos não liguem mais para ele: é só pela razão de que, agora, eles têm de cuidar do bebê em tempo quase integral.

Agora que já são amigos, crianças e cachorros podem ficar sozinhos?

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Mito. Não é aconselhável deixar seu bebê com o cão, mesmo que eles já tenham estabelecido um laço de amizade. Por suas ações imprevisíveis – desde puxar o cabelo até puxar as orelhas -, a criança pode irritar ou “testar” o cachorro a um ponto que ainda não havia sido levado.

Meu cão tem que ser independente, e isso depende de mim?

Verdade. Ensinar um cão a viver sozinho não quer dizer negligenciar cuidados a ele – ou muito menos que os donos não têm mais interesse sobre ele -, mas, sim, significa facilitar sua vida nos mais diferentes ambientes com outras pessoas. Com a jornada dedicada quase exclusivamente ao bebê (dar banho, dar comida, limpá-lo e passar todo o tempo necessário com ele), tornar seu cão autônomo é recomendado e depende, também, de você.

A adaptação é melhor se o cão conhece as roupinhas e brinquedos do bebê?

Verdade. Mostrar o carrinho e as roupas do bebê para que ele as cheire, além de deixar o cão chegue aos brinquedos e outros objetos da criança, são formas de fazer a curiosidade do pet diminuir. “É uma excelente atitude”, diz o médico.

O cão deve se acostumar a ser tocado?

Verdade. É bom que o cachorro esteja habituado a ser tocado, seja no pelo, nas orelhas, na pata ou no rosto. Isto porque, na fase de engatinhar e andar, mesmo em uma brincadeira e sem o objetivo de machucar o cão, o bebê pode tocar em alguma parte dele.